Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.
Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.
O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.
Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.
Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...


~Carlos Drummond de Andrade~
     



     Noite dessas fui dormir pensando em você.
     Outra vez. Nada novo sob o luar.
     Sabe, você tem ocupado grande parte dos meus pensamentos. Não consigo me desligar. Você está em todos os lugares ao meu redor. No céu, na música, nos livros e poemas, no filme que vi hoje a tarde e até mesmo na timeline do twitter.
       Já te escrevi diversas coisas durante essas noites de insônia. Trechos, poemas, textos... Já ensaiei também diversas falas em frente ao espelho, mas me sinto destemida apenas de madrugada.
        Você me desconcerta todinha, fico sem saber como agir.
        Acho que é isso o que eles chamam de amor, tenho quase certeza.
        Esse sentimento que me rasga o peito, tira a fome e o sono, me traz memórias o tempo todo, esse sentimentozinho descarado que me rouba o ar e me faz ficar perdida entre o real e o inventado.
         Não tenho achado esse sentimento tão lindo como retratam alguns poetas por aí. Acho que concordo mais com Camões:

“Amor é um fogo que arde sem se ver; 
É ferida que dói, e não se sente; 
É um contentamento descontente; 
É dor que desatina sem doer. 

É um não querer mais que bem querer; 
É um andar solitário entre a gente; 
É nunca contentar-se e contente; 
É um cuidar que ganha em se perder; 

É querer estar preso por vontade; 
É servir a quem vence, o vencedor; 
É ter com quem nos mata, lealdade. 

Mas como causar pode seu favor 
Nos corações humanos amizade, 
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”

Essa é a melhor definição até agora, e apesar de às vezes eu querer fugir de mim, eu não trocaria esse sentimento por nenhum outro.
Te amar é bom demais, é como aquela adrenalina boa que todo mundo procura de vez em quando,seja no filme de terror ou na roda gigante. A diferença é que eu não preciso procurar, ela faz morada dentro de mim.

~IMP~



Eu sou dona de apontar todos os meus defeitos e imperfeições, e isso se tornou um auto bullying rotineiro. Mas dia desses eu tentei achar minhas qualidades, coisa que eu nunca tinha parado pra fazer. Percebi uma coisa muito legal e foi o que me levou a escrever esse textinho.
   
Eu tenho uma mania muito bonita de ver poesia em tudo. E quando eu digo ''tudo'', é no sentido bem literal.
   
Eu enxergo poesia no céu, no ar, no asfalto, num programa de TV, no carro estacionado do outro lado da rua, em um livro, em pessoas (principalmente), em notícias do jornal, num filme qualquer, na chuva...
   
E a poesia, como já dizia um dos meus cantores preferidos, é a arte do fracasso, não tem como mentir em uma poesia. Ela é a nossa humanidade, nossa alma exposta ao mundo, não é uma busca por status, ela é simples, são as cores dos nossos medos espelhados nas palavras. Poesia é se reconhecer. Poesia é habitar. Poesia é fracassar uma ou dez vezes e enxergar esse fracasso. 

Poesia é, apenas.
   
E foi essa a qualidade m que eu encontrei, a de enxergar o que a maioria das pessoas ignora, o que a maioria das pessoas nem se dá conta da existência. Tudo bem que essa pode ser por causa do TDAH, mas não faz com que seja menos legal por causa disso.
   
Não sou um Narciso, tô bem longe disso na verdade, mas eu acho que as pessoas deveriam buscar um pouco mais essa minha qualidade. Buscar enxergar, buscar uma nova percepção do mundo a nossa volta, e desvencilharmos da eterna caixinha diária na qual estamos sempre submersos e prestar atenção nas cores, tão vibrantes que ficam por aí esperando ser notadas.

Vivemos tão alheios nos nossos eletronicos e reclamando da vida que aos poucos perdemos nossa visão.A poesia é sincera, e é essa sinceridade, essa visão das coisas, que eu preciso pra sobreviver. Ou melhor, pra viver. E acredito que no fim das contas todo mundo precisa de um pouco disso. São esses detalhes que eu coleciono por onde passo que fazem toda a diferença, fazem meu dia um pouquinho melhor. Essa é minha qualidade, faz parte de mim e me mantém viva. E eu pretendo continuar andando toda avoada por aí prestando atenção em tudo. 

O mundo inspira poesia, basta se permitir respirar.

~Gabby L.R~


    Eu mesma me machuco pra eu mesma me curar.
    Eu ando por aí aumentando o volume de tudo. Aumento o volume do frio, da fome, do sono, da dor, da saudade, da sujeira no pé, da roupa furada, da cama desfeita, da louça na pia, da geladeira vazia, da toalha molhada, das lâmpadas queimadas. 
    Aumento o volume que é pra criar uma espécie de dimmer da minha prórpia vida.            Como se eu pudesse amplificar tudo o que me espeta pra, depois, eu mesma diminuir. Como se, aumentando tudo, eu criasse, automaticamente, o controle de reduzir o ruído que alfineta em mim.
     É, eu sei. É uma pequena ilusão de poder que eu criei para me sentir um pouco rei de tudo que me machuca. 
    Se você me machuca, eu arrebetendo a ferida, a estico por todos os cantos, jogo pimenta e belisco a carne com alicate sem fio. Depois eu cuido de fazer as suturas e acredito estar cuidando de um estrago que eu mesma orquestrei. Às vezes, por falta do que cuidar, nesse meu vício de auto-tortura, me ponho a te machucar, gratuitamente, para que talhos e fraturas expostas se abram em mim como faz um terremoto ao rasgar o chão do mundo. E depois, talhos e fraturas expostas, o deleite de remendar, ritualísticamente, cada um deles. 
    Desde muito pequena, eu mesma me torturo para eu mesma de curar.
    Me torturo pra fazer canções; me torturo pra chorar e combinar com uma noite de chuva; me torturo pra me consolar; me torturo para eu ser - e mais ninguém - o carrasco a me maltratar.
    Me torturo pra ninguém me machucar. 
    E pra ninguém vir me curar.
    Faço tudo sozinha. 
    Sofro tudo sozinha.
    Conforto tudo sozinha.
    Mas, hoje, eu me pergunto: e esse carrasco que eu cuidei de criar pendurado em mim? Eu que tenho ele ou é ele que me tem? Dá jeito da gente se desgrudar?
~Ana Larousse~

Postado por: Gabby L.R


   Olá Galera, tudo bom?
 
   Faz tempo que não tem uma playlist aqui no blog então hoje eu resolvi trazer uma pra voces. Tá bem diferente das anteriores porque meu gosto muda diariamente. Espero que gostem.

*AO CLICAR NO NOME DA MÚSICA VOCES SERÃO REDIRECIONADOS PARA UM VÍDEO NO YOUTUBE*

POP

INDIE

ROCK ALTERNATIVO

RAP

MPB(Não podia falta galera)




~Gabby L.R~




Não sinto tua falta.
Nem falta do teu cheiro
de perfume importado
que me exportou de mim.

Não sinto falta
do teu érre puxado,
nem do teu beijo
gosto-de-dente
que morde coração-envenenado.

Não sinto tua falta.
Nem falta do teu olhar barroco,
do teu gosto agressivo,
da dor que tu me provocas
feito extração de siso.

Não sinto tua falta.
NÃO SINTO.
Não lembro de você.
Nem da tua respiração ofegante,
nem do teu andar elegante,
nem da tua sorte disfarçada
de porta-que-encara-bunda-de-elefante.

Não sinto tua falta.
Sinto ânsia.
Distância.
Não sinto falta do teu deus-oriental,
do teu signo-preto,
do teu silêncio-grito
que me soa poema-lírico.

Sinto ânsia.
E a provoco.
E enfio meus dez-dedos
na garganta
pra ver se vomito teu ser
da minha alma.

Lucas Veiga










POST BY: ~IMP~




Não sinto tua falta.
Nem falta do teu cheiro
de perfume importado
que me exportou de mim.
Não sinto falta
do teu érre puxado,
nem do teu beijo
gosto-de-dente
que morde coração-envenenado.
Não sinto tua falta.
Nem falta do teu olhar barroco,
do teu gosto agressivo,
da dor que tu me provocas
feito extração de siso.
Não sinto tua falta.
NÃO SINTO.
Não lembro de você.
Nem da tua respiração ofegante,
nem do teu andar elegante,
nem da tua sorte disfarçada
de porta-que-encara-bunda-de-elefante.
Não sinto tua falta.
Sinto ânsia.
Distância.
Não sinto falta do teu deus-oriental,
do teu signo-preto,
do teu silêncio-grito
que me soa poema-lírico.
Sinto ânsia.
E a provoco.
E enfio meus dez-dedos
na garganta
pra ver se vomito teu ser
da minha alma.
Lucas Veiga
Não sinto tua falta.
Nem falta do teu cheiro
de perfume importado
que me exportou de mim.
Não sinto falta
do teu érre puxado,
nem do teu beijo
gosto-de-dente

  Nós nunca vamos nos beijar na chuva
   Nem correr de mãos dadas no parque
  Tampouco vamos dividir um colchão enquanto maratonamos séries
   Também não vamos dormir juntas
  Nem apresentaremos nossos pais
   Não passaremos a tarde toda jogando conversa fora
  Não vamos sair pra comer sushi
   Nem nos beijaremos em público
  Nós não vamos dançar juntas em festas
   Nem moraremos juntas
  Não vamos sair pra pedalar
   Nem vamos sentar e observar o céu
  Nem procurar formar nas nuvens
   Nós não vamos desenhar as constelações
  E eu não vou te observar acordar
   Não vamos falar palavras bonitas uma pra outra
  E eu não vou me perder em seus olhos outra vez
   Não vamos passar tardes jogando
  Nem desenhando
   E eu não vou ser a pessoa em que você vai pensar ao anoitecer.

   Mas tá tudo bem. De verdade. Talvez tenhamos sido feitas pra nos apaixonarmos e não pra ficarmos juntas.Você foi mais uma daquelas pessoas que chegam, fazem uma baguncinha e depois vão embora.
Você partiu meu coração. Literalmente. Posso sentir os pedacinhos dentro de mim, caindo na boca do meu estômago e matando todas as borboletas que restaram por lá.

   Mas uma pessoa completa, como a que estou tentando me tornar não merece alguém pela metade.
   E..."Só porque você ama alguém, não significa que deva ficar e atrapalhar a vida dessa pessoa."

   Por isso é melhor te deixar ir.
   Então vá.
   Se curar.
   Pra que assim eu possa me curar também.

   Não é abandono,é recomeço.
   Agora sabemos onde você começa e eu termino. 
   Não somos mais ponto e vírgula, dessa vez, somos ponto final.

   Provavelmente. 
   Possivelmente. 
   Pra sempre.

~IMP~




*Meu primeiro post nesse blog INCRÍVEL,espero que gostem tanto de mim quanto da Gabby L.R. Quero ver muitas visualizações agora que cheguei por aqui, quero chegar abalando as estruturas do coração de vocês hehe. Compartilhem o post com os amigos e fiquem ligados por aqui, em breve mais posts.*
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